Princípio 01 · O problema
Curva do esquecimento: porque esquecemos o que aprendemos numa formação
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Resposta curta
A curva do esquecimento descreve quanto se esquece de algo aprendido à medida que o tempo passa. Ebbinghaus mediu-a no século XIX e uma replicação de 2015, com um único participante como no original, obteve resultados semelhantes. A investigação mais recente mostra que o ritmo de esquecimento muda ao longo do tempo e que a curva média de um grupo não é a de cada pessoa. Rever em intervalos, ajustados a cada pessoa, é a forma de a contrariar.
O que é
A curva do esquecimento mostra a relação entre o tempo que passa desde que se aprendeu algo e a quantidade que ainda se consegue recordar. Sem revisão, a memória de um conteúdo novo vai-se perdendo, e a perda é mais acentuada no início.
Para quem forma equipas, a consequência é conhecida: uma sessão de formação bem feita não garante que, semanas depois, as pessoas se lembrem do que lá foi dito.
O que dizem os estudos
O esquecimento não segue uma só curva
Uma revisão da literatura concluiu que o esquecimento não é bem descrito por uma única função contínua: o ritmo muda conforme o período. Os autores propõem fases: memória de trabalho no primeiro minuto, memória de longo prazo inicial nas 12 horas seguintes, uma fase de transição durante cerca de uma semana e memória duradoura a partir daí.
Radvansky, Doolen, Pettijohn e Ritchey (2022), Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition.
A curva média não é a curva de cada pessoa
Uma análise matemática mostrou que fazer a média de curvas de esquecimento individuais muda a sua forma: a média de curvas exponenciais tende a dar uma função de potência. A curva de um grupo pode, por isso, ter uma forma diferente da curva de cada pessoa.
Murre (2023), Journal of Mathematical Psychology.
De onde vem a ideia. Hermann Ebbinghaus mediu em 1880 e em 1885 quanto se esquece em função do tempo. Em 2015, Murre e Dros repetiram a experiência com um único participante, como no original, e intervalos de 20 minutos a 31 dias. Obtiveram resultados semelhantes, provavelmente com um ligeiro salto a partir das 24 horas.
Uma sessão isolada não chega. O que fixa o conhecimento é voltar a ele, no momento certo.
Como contrariar a curva
- Rever em vez de repetir tudo de uma vez. Estudar em duas ocasiões separadas supera estudar de uma só vez (Cepeda e outros, 2006), e uma meta-análise de 2021 encontrou uma vantagem forte em espaçar as sessões de perguntas (Latimier, Peyre e Ramus). É o princípio da repetição espaçada.
- Rever a responder, não a reler. Fazer testes depois de estudar produz melhor desempenho do que voltar a estudar. Ver prática de recuperação.
- Rever pouco de cada vez. Doses curtas cabem no dia de trabalho e podem repetir-se muitas vezes. É a lógica do micro-learning.
Como o jogo aplica isto

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21- Cada participante tem um modelo de memória para cada pergunta, que estima quando é provável que a esqueça. Não se usa uma curva média da equipa, porque a forma dessa curva pode não corresponder à de cada pessoa.
- As perguntas que estão a ficar esquecidas voltam primeiro, misturadas com conteúdo novo.
- Cada jogada tem seis perguntas e demora um a dois minutos, para caber numa pausa. Veja o ciclo completo em como funciona.
Referências
- Murre, J. M. J. (2023). How averaging individual curves transforms their shape: mathematical analyses with application to learning and forgetting curves. Journal of Mathematical Psychology, 117, 102816. doi:10.1016/j.jmp.2023.102816
- Radvansky, G. A., Doolen, A. C., Pettijohn, K. A. e Ritchey, M. (2022). A new look at memory retention and forgetting. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, 48(11), 1698 a 1723. doi:10.1037/xlm0001110
- Latimier, A., Peyre, H. e Ramus, F. (2021). A meta-analytic review of the benefit of spacing out retrieval practice episodes on retention. Educational Psychology Review, 33(3), 959 a 987. doi:10.1007/s10648-020-09572-8
- Murre, J. M. J. e Dros, J. (2015). Replication and analysis of Ebbinghaus' forgetting curve. PLoS ONE, 10(7), e0120644. doi:10.1371/journal.pone.0120644
- Cepeda, N. J., Pashler, H., Vul, E., Wixted, J. T. e Rohrer, D. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: a review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3), 354 a 380. doi:10.1037/0033-2909.132.3.354
- Ebbinghaus, H. (1885). Über das Gedächtnis: Untersuchungen zur experimentellen Psychologie. Duncker & Humblot.