Princípio 06 · O formato

Imagens e memória: porque uma imagem se recorda melhor do que uma palavra

Leitura de 5 minutos · Revisto por [NOME DO REVISOR] · Actualizado em

Resposta curta

O efeito de superioridade da imagem é a tendência para recordar melhor o que se viu em imagem do que o que se leu em palavras. Estudos recentes atribuem-no ao facto de as imagens serem mais distintivas do que as palavras, e uma síntese de 29 revisões mostra que a forma como imagem e texto se combinam também conta para aprender.

O que é

Quando se pede a alguém que recorde uma lista de coisas, as que foram mostradas como imagens tendem a ser recordadas melhor do que as que foram mostradas como palavras. Chama-se a isto o efeito de superioridade da imagem (picture superiority effect, em inglês).

Na formação, muitas das coisas que a equipa tem de reconhecer são visuais: um produto, um equipamento, um documento, uma situação de risco.

O que dizem os estudos

A vantagem vem da distintividade

Estudos anteriores desta equipa mostraram que a vantagem das imagens desaparece quando se comparam imagens a preto e branco com palavras tornadas visualmente distintivas, com tipos de letra, tamanhos e cores variados. Este estudo alargou o resultado à recordação livre e ao reconhecimento de pares, e os resultados voltaram a apoiar a distintividade física. Os autores defendem que a codificação dupla deixou de ser uma explicação viável do efeito.

Higdon, Neath, Surprenant e Ensor (2025), Quarterly Journal of Experimental Psychology.

Como juntar imagem e texto

Uma síntese de 29 revisões sistemáticas, com 1 189 estudos e 78 177 participantes, identificou 11 princípios de desenho multimédia com efeitos positivos na aprendizagem. Os maiores benefícios vieram de legendar vídeos em segunda língua, de pôr imagem e texto juntos no espaço e no tempo, e de assinalar o que é importante. Retirar pormenores apelativos mas irrelevantes também ajudou.

Noetel e outros (2022), Review of Educational Research.

De onde vem a ideia. Num estudo clássico, Paivio e Csapo (1973) mostraram que a recordação livre era geralmente maior para itens apresentados como imagens do que como palavras. O título, imagery or dual coding?, resume a pergunta que investigaram: se a vantagem vinha das imagens mentais ou de uma codificação dupla, verbal e visual, do mesmo item. Concluíram a favor da codificação dupla. A investigação recente aponta para outra resposta: a distintividade.

Porque funciona

  • Mais distintiva. Uma imagem varia mais do que uma palavra escrita, o que a torna mais fácil de distinguir na memória (Higdon e outros, 2025).
  • Junto ao texto. A pergunta e a imagem aparecem lado a lado, no mesmo ecrã, como recomenda o princípio da contiguidade espacial (Noetel e outros, 2022).
  • Mais perto da realidade. Reconhecer o equipamento certo numa fotografia está mais perto do que se faz no posto de trabalho do que ler uma descrição.
  • Alternativas que fazem pensar. Quatro imagens parecidas obrigam a distinguir o essencial, o que se liga às alternativas plausíveis da escolha múltipla (Little e outros, 2012).

Como o jogo aplica isto

Exemplo ilustrativo de uma pergunta com imagens nas respostas.
  • Imagem na pergunta: mostrar uma situação real e perguntar o que se deve fazer.
  • Imagens nas respostas: escolher o produto, o equipamento ou o documento certo.
  • As imagens são carregadas pelo formador no painel de administração, junto com o texto da pergunta. Funcionam melhor quando mostram o que importa para a resposta, e não decoração.

Referências

  1. Higdon, K. F., Neath, I., Surprenant, A. M. e Ensor, T. M. (2025). Distinctiveness, not dual coding, explains the picture-superiority effect. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 78(1), 180 a 191. doi:10.1177/17470218241235520
  2. Noetel, M., Griffith, S., Delaney, O., Harris, N. R., Sanders, T., Parker, P., del Pozo Cruz, B. e Lonsdale, C. (2022). Multimedia design for learning: an overview of reviews with meta-meta-analysis. Review of Educational Research, 92(3), 413 a 454. doi:10.3102/00346543211052329
  3. Little, J. L., Bjork, E. L., Bjork, R. A. e Angello, G. (2012). Multiple-choice tests exonerated, at least of some charges: fostering test-induced learning and avoiding test-induced forgetting. Psychological Science, 23(11), 1337 a 1344. doi:10.1177/0956797612443370
  4. Paivio, A. e Csapo, K. (1973). Picture superiority in free recall: imagery or dual coding?. Cognitive Psychology, 5(2), 176 a 206. doi:10.1016/0010-0285(73)90032-7
Ver todas as referências

Perguntas com as imagens do dia a dia da sua equipa.

Pedir demonstração