Princípio 03 · Como rever
Prática de recuperação: porque responder fixa mais do que reler
Leitura de 7 minutos · Revisto por [NOME DO REVISOR] · Actualizado em
Resposta curta
Prática de recuperação é tentar lembrar uma informação sem a ter à frente, por exemplo ao responder a uma pergunta. Uma meta-análise de 2021, com 222 estudos e 48 478 alunos em contexto de aula, concluiu que fazer testes aumenta o desempenho num grau médio, face a voltar a estudar e a outras estratégias.
O que é
Quando relemos um texto, reconhecemos o que lá está e temos a sensação de que já sabemos. Quando temos de responder sem ajuda, o cérebro precisa de ir buscar a informação. É esse acto de ir buscar, a recuperação, que torna a memória mais forte e mais fácil de encontrar da próxima vez.
Na literatura em inglês aparece como retrieval practice ou testing effect, o efeito de testar.
O que dizem os estudos
222 estudos em sala de aula, um efeito médio
Uma revisão de 222 estudos feitos em contexto de aula, com dados de 48 478 alunos, concluiu que fazer testes aumenta o desempenho escolar num grau médio (g = 0,499). O efeito variou com factores como haver feedback correctivo, o número de repetições do teste e a semelhança entre o formato do teste de prática e o do teste final.
Yang, Luo, Vadillo, Yu e Shanks (2021), Psychological Bulletin.
Em escolas reais, os benefícios repetem-se
Uma revisão sistemática de 50 experiências feitas em escolas e salas de aula, com 5 374 participantes, encontrou benefícios médios ou grandes da prática de recuperação na maioria dos casos (57%), em vários níveis de ensino, matérias, formatos de pergunta e intervalos até ao teste final.
Agarwal, Nunes e Blunt (2021), Educational Psychology Review.
Recuperar e espaçar, juntos
Uma revisão da investigação sobre prática de recuperação e espaçamento descreve como ambas melhoram a aprendizagem em vários domínios e idades, e nota que continuam pouco usadas, possivelmente por crenças erradas sobre como se aprende, por desconhecimento ou por parecerem contra-intuitivas.
Carpenter, Pan e Butler (2022), Nature Reviews Psychology.
O valor g mede a diferença entre quem fez testes e quem não fez, em desvios padrão: quanto maior, maior a vantagem.
De onde vem a ideia. Roediger e Karpicke (2006) mostraram que estudantes que fizeram testes depois de ler um texto se lembravam de mais, ao fim de dois dias e de uma semana, do que os que voltaram a ler. Uma meta-análise anterior concluiu que os testes de prática são mais benéficos do que reler e do que todas as outras condições comparadas (Adesope e outros, 2017), e numa revisão de dez técnicas de estudo a prática de testes foi uma das duas com utilidade elevada (Dunlosky e outros, 2013).
Reler dá a sensação de saber. Responder mostra o que realmente se sabe, e reforça-o.
Porque funciona
- Fortalece o caminho até à memória. Cada recuperação bem sucedida torna a seguinte mais fácil.
- Mostra o que falta. Errar uma pergunta revela uma lacuna que a leitura esconde.
- É uma dificuldade desejável. O esforço extra parece mais lento no momento, mas pode melhorar a retenção a longo prazo, como descreveu Robert Bjork em 1994.
E a escolha múltipla, também funciona?
Funciona, com duas condições que a investigação identifica:
- Respostas erradas plausíveis. Quando as alternativas são credíveis, a escolha múltipla pode desencadear uma recuperação produtiva: obriga a pensar no que distingue a resposta certa (Little e outros, 2012).
- Feedback depois de responder. Mostrar a resposta certa aumenta os efeitos positivos da escolha múltipla e reduz os negativos, como memorizar por engano uma resposta errada (Butler e Roediger, 2008).
Como o jogo aplica isto

Que prática do ITIL v5 restaura o serviço o mais depressa possível?
21- Tudo é pergunta e resposta, nunca leitura passiva.
- As respostas erradas são revistas por regras de qualidade para serem plausíveis.
- Depois de cada resposta aparece a certa e uma explicação curta.
- As perguntas voltam em intervalos cada vez maiores, combinando recuperação com repetição espaçada.
Referências
- Carpenter, S. K., Pan, S. C. e Butler, A. C. (2022). The science of effective learning with spacing and retrieval practice. Nature Reviews Psychology, 1(9), 496 a 511. doi:10.1038/s44159-022-00089-1
- Agarwal, P. K., Nunes, L. D. e Blunt, J. R. (2021). Retrieval practice consistently benefits student learning: a systematic review of applied research in schools and classrooms. Educational Psychology Review, 33(4), 1409 a 1453. doi:10.1007/s10648-021-09595-9
- Yang, C., Luo, L., Vadillo, M. A., Yu, R. e Shanks, D. R. (2021). Testing (quizzing) boosts classroom learning: a systematic and meta-analytic review. Psychological Bulletin, 147(4), 399 a 435. doi:10.1037/bul0000309
- Adesope, O. O., Trevisan, D. A. e Sundararajan, N. (2017). Rethinking the use of tests: a meta-analysis of practice testing. Review of Educational Research, 87(3), 659 a 701. doi:10.3102/0034654316689306
- Dunlosky, J., Rawson, K. A., Marsh, E. J., Nathan, M. J. e Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques: promising directions from cognitive and educational psychology. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4 a 58. doi:10.1177/1529100612453266
- Little, J. L., Bjork, E. L., Bjork, R. A. e Angello, G. (2012). Multiple-choice tests exonerated, at least of some charges: fostering test-induced learning and avoiding test-induced forgetting. Psychological Science, 23(11), 1337 a 1344. doi:10.1177/0956797612443370
- Butler, A. C. e Roediger, H. L. (2008). Feedback enhances the positive effects and reduces the negative effects of multiple-choice testing. Memory & Cognition, 36(3), 604 a 616. doi:10.3758/MC.36.3.604
- Roediger, H. L. e Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249 a 255. doi:10.1111/j.1467-9280.2006.01693.x
- Bjork, R. A. (1994). Memory and metamemory considerations in the training of human beings. Em J. Metcalfe e A. Shimamura (Eds.), Metacognition: knowing about knowing. MIT Press, pp. 185 a 205.